Essa nossa aparente paz
Mata muita gente, rapaz.
Usam amor como cura,
Dissimulação pura.
Todos os dias a ignorância e o descaso matam: nas estradas, nos hospitais, nas comunidades. Por ódio, por achar, por amor, pela paz.
Um antídoto, um veneno.
Outro juízo, é pequeno.
Emoção sem razão ou lucidez,
Romantismo, estupidez.
Todos os dias se rouba de quem nada tem: o direito, a dignidade, o tempo, o desejo, as vidas, a vontade, a paz e a realidade.
Quem lhes pediu maternidade?
Não é cuidado, é maldade.
Não é esperança, é tortura,
Falsidade, loucura.
Todos os dias te anestesiam fazendo a exceção parecer regra. Te indicam que ajoelhar e orar faz melhorar. Que felicidade é uma roupa branca num altar. E que basta acreditar.
Sombras no fundo projetadas,
Nas telas, consciências acorrentadas.
Idiotice aplaudida e replicada,
Vida fantasiada.
Todos os dias tentam te convencer de uma fórmula mágica para rejuvenescer, enriquecer, ser coisa que usa para ser usado por mais um psicopata aloprado.
Padrão, molde, massa deformada.
Não encaixa, finge, caricata.
Aspecto vazio, fala distante,
Um figurante.
Todos os dias as telas te mostram mazelas, mas você não as analisa. Está distante, nada tem a ver com seu modo de vida. Então você segue, perdida.
Fala da sombra vista
Como se fosse realista.
A sombra lhe conforta,
Razão morta.
Todo dia, congressistas eleitos e esquecidos te furtam, destroem tudo o que podem. Mas você é paixão ou distração. Não enxerga meterem a mão no seu bolso e no futuro dos seus filhos.
Angústia da falta inexplicável
De um desejo identificável,
Provoca um choro escondido.
Alivia? Duvido!
Todos os dias os diferentes são atacados, mortos e humilhados. Por quem não consegue viver a própria vida nem realizar seus desejos; gente rancorosa, reprimida e ardilosa.
Realidade imposta berra, grita.
Viciado em fantasia, evita.
Usa da dissonância cognitiva,
Inventa, esquiva.
A verdade nos olha nos olhos. E age de má-fé quem a evita para não aceitar, se contorcendo para suas paixões não contrariar.

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