Resumo
Este artigo propõe
uma reflexão sobre a tensão contemporânea entre as metodologias de ensino por
investigação e a necessidade do rigor técnico-formal. Através de um debate
dialético, argumenta-se que a eficácia do ensino não reside na escolha
exclusiva de um método, mas no reconhecimento da autonomia docente e na capacidade
do aluno de realizar síntese interdisciplinar. Vamos imaginar para isso um
país hipotético em que o professor não é valorizado e atacado de forma a também
ser desqualificado, com pais e sociedade que não se envolvem com a educação dos
seus jovens, sem um projeto político que indique a educação como a saída para o
desenvolvimento do país e do próprio indivíduo e em que os jovens são
estimulados pelas redes sociais a seguir carreiras que tragam o máximo retorno
com o mínimo de esforço intelectual.
Introdução
Em todas as abordagens no ensino da
matemática, as metodologias variam desde abordagens clássicas e estruturais até
tendências contemporâneas que priorizam o contexto cultural e a tecnologia.
O cenário da Educação Matemática é marcado por um embate histórico: de um lado,
a defesa de metodologias ativas que priorizam a descoberta; de outro, a
valorização do rigor técnico e da instrução direta como pilares do
conhecimento. Este artigo explora essa dualidade, questionando se a crítica às
formas tradicionais de ensino não negligencia fatores estruturais e sociais que
determinam o sucesso educacional. Essa separação cria uma concorrência dentro
da prática docente como se elas fossem contrapontos, mas na verdade elas se
confundem dentro do processo de ensino aprendizado. Essa separação aparece mais
como forma de criar cortina de fumaça para a ineficiência do estado ou pela sua
ação deliberada em formar as pessoas como forma e para isso é preciso projetar
no professor. Essa projeção tem dois objetivos: criar um vilão e controlar a
liberdade de cátedra.
A
falácia do método como solução única
Frequentemente, a
adoção de metodologias investigativas é apresentada como a "fórmula
mágica" para a aprendizagem. Contudo, ao analisar sistemas educacionais de
alto desempenho, como os da Ásia Oriental, observa-se que o rigor e a técnica
não são obstáculos, mas catalisadores de competência. A crítica que reduz o
professor ao papel de "adestrador" ignora que o domínio de algoritmos
e fórmulas é uma forma de liberdade intelectual, permitindo que o aluno avance
para abstrações mais complexas. As adoções dessas metodologias estão dentro da
liberdade de cátedra do professor e não podem ser política educacional do Estado
que parece seguir um roteiro modista com objetivo de bagunçar para controlar o
espaço educacional. Quem produz método está indicando a parte de um todo muito
complexo que ocorre de forma muito fluida e natural. O objetivo do produtor de
método é a princípio vaidade e lucro e a aplicação pelo desenvolvedor ocorreu
pela sua liberdade de cátedra e numa situação muito específica e não significa
que funcionará no dia seguinte e em outros contextos sociais.
A
dimensão sociopolítica e a falsa culpabilização
O debate
pedagógico frequentemente oculta a realidade socioeconômica. Atribuir o
fracasso escolar exclusivamente à metodologia do professor é um reducionismo
que ignora a desigualdade na distribuição de renda e a fragilidade de projetos
de nação que, convenhamos, é deliberado e provoca outras mazelas como violência
e aumento do número de detenções. Enquanto o discurso das metodologias ativas
pode ser capturado para suavizar currículos, o rigor técnico massificado,
quando aliado a políticas de equidade, demonstra ser um motor de ascensão
social e soberania técnica. Em todas as abordagens no ensino da matemática, as
metodologias variam desde abordagens clássicas e estruturais até tendências
contemporâneas que priorizam o contexto cultural e a tecnologia. Todas essas
abordagens têm como principal objetivo convencer o sujeito a aprender a
matemática a partir do método retirando do estado e sociedade a culpa pelo não
desejo pelo aprendizado do aluno. Se
relega o trabalho docente a um método, o coloca como responsável pelas questões
psicológicas, paternas, maternas, de estado e o puni com o método e pelo
método.
O
aluno como ponto de interdisciplinaridade
A construção de um
sujeito crítico não é responsabilidade exclusiva da Matemática. A tentativa de
forçar a disciplina a suprir lacunas da Filosofia, História ou Sociologia pode
resultar em um esvaziamento tanto da técnica quanto da crítica. O aluno é o
verdadeiro sujeito da síntese; é ele quem deve concatenar os saberes. O rigor
matemático oferece a lógica necessária para que a crítica social, alimentada
pelas humanidades, seja honesta e contundente. Sem a técnica, a crítica é
apenas palpite.
Liberdade
de cátedra e o fim das dicotomias
Toda prática
pedagógica é válida desde que o objetivo final seja o ensino e o
desenvolvimento do estudante. A liberdade de cátedra protege o professor contra
a redução de seu papel ao de um doutrinador — seja ele tecnocrata ou
ideológico. A "base técnica" e a "investigação" devem ser
vistas como ferramentas em um arsenal pedagógico vasto, e não como campos de
batalha excludentes.
Conclusão
A matemática é, em sua essência, um ato de
resistência contra o negacionismo. Ao defender o rigor, defende-se a capacidade
do indivíduo de analisar a realidade de forma autônoma. O futuro do ensino
matemático não reside em um novo método, mas na valorização de um professor
autônomo e de um aluno que receba as ferramentas técnicas para, enfim, exercer
sua liberdade crítica no mundo. Pensando num país hipotético em a educação não
é um objetivo o desenvolvimento do raciocínio lógico para esse país não é
importante, mesmo porque avaliar a lógica por trás do modelo de pais, das
relações de trabalho, das nossas ações, a das outras pessoas, da religião, do
poder e muitas outras não é algo que se estimule porque pode representar um
risco na forma de vida hipotética, do nosso país hipotético, como uma educação
hipotética de gente hipotética com realizações hipotéticas, adjetivos
hipotéticos e todos vivendo num celeiro real. Metodologias ativas e tecnológicas,
essas são as mais recente, a modinha do momento, em parte vem do fetiche
romantizado da aprendizagem com a tecnologia desconectado dos males do uso do
celular e, que se lembrarmos das características do país hipotético, vamos
entender que os alunos vão preferir jogar ou os feeds das redes sociais a aprender
matemática em plataformas, as metodologias ativas não fogem do óbvio da forma
milagrosa, os alunos não aprendem pela metodologia, ele aprende primeiramente
querendo e depois praticando matemática, ela por ela já é um jogo que tem
várias fases e cada uma com um grau de dificuldade maior.
