Abaixo estão os pontos centrais da história e o contexto da obra:
O Enredo e a Quarentena
Em vez de uma escuridão total, os afetados pela doença perdem a visão imersos em uma névoa de luz branca. Temendo o contágio em massa e o colapso social, o governo decide isolar as primeiras vítimas e seus contactantes em um Antigo manicômio abandonado.
O grande diferencial da trama é a Mulher do Oftalmologista. Ela é a única pessoa da cidade que não perde a visão, mas finge estar cega para poder acompanhar seu marido. Ao longo da história, ela atua como os olhos e a consciência da humanidade dentro do confinamento, testemunhando a rápida degradação da moralidade, a escassez de comida e a escalada da violência à medida que o local vira um verdadeiro laboratório de instintos primários.
Metáfora da Cegueira
A obra usa a doença física apenas como uma alegoria para a falência moral e a cegueira de consciência da sociedade. Em situações de caos e sobrevivência, as máscaras sociais e os privilégios (já que os personagens não têm nomes, sendo chamados apenas por suas características como "o médico", "a rapariga dos óculos escuros") caem, revelando o egoísmo, a crueldade, mas também o heroísmo e a solidariedade inerentes ao ser humano.
O Estilo Escrito de Saramago
O livro é famoso por sua estrutura textual peculiar, que pode causar estranheza inicial no leitor. Saramago utiliza frases e parágrafos longos, com pontuação não convencional, e omite travessões nos diálogos, fundindo a fala dos personagens e os pensamentos da narradora em um fluxo contínuo. Isso intensifica a sensação de angústia, claustrofobia e urgência.
Além da obra fiz a leitura do livro dois indicado pelo autor e é uma continuação, cujo título é: Ensaio Sobre a Lucidez, o livro conta com os personagens principais do livro um e alguns novos e o final é surpreendente. Ambos os livros são obras espetaculares e que recomendo a leitura uma após a outra como indicado pelo autor. Além destas obras, também li: O Evangelho Segundo Jesus Cristo e a Caverna. Todas leituras estimulantes, além de uma escrita única. Todas do mesmo autor. O que mais impressiona em Saramago, é que sinto sempre ao ler ou produzir para o teatro, é que seus livros nunca são apenas histórias. Eles funcionam como espelhos desconfortáveis da nossa própria realidade, forçando uma reflexão contínua a cada nova leitura.
https://clubedeautores.com.br/livro/sabios-x-fatalistas
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