"O rigor do pensamento para desvelar a realidade. Um espaço dedicado à autonomia intelectual, à crítica social e ao exame das sombras que obscurecem a educação e o mundo contemporâneo." Aletheia (Gr. ἀλήθεια): O ato de desvelar; a verdade que deixa de estar oculta.
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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Poema - Nosso Lindo Paraíso


Criamos na Terra o nosso paraíso,
Lhes tiramos a razão e o juízo.
Animais esclarecidos da dor,
O medo deles está a nosso favor.
De cima, os vemos se matar;
De baixo, eles veem-nos exaltar.

Quanta dor lhes causamos,
Mas fantasias opiáceas lhes damos.
Ficamos invisíveis como o mal,
Agora dizemos-lhes quem é mau.
Demos-lhes os motivos, o ódio e as armas,
Eles, suas vidas e o peso nas almas.

A ignorância os manteve enganados;
Cegos, tornam-se súditos, fãs e escravizados.
A angústia da liberdade, agora anestesiada;
A filosofia pronta deixa a crítica alienada.
Continuísmo, repetição, nada é novo;
Pintamos o velho para a cegueira do povo.

O mundo não nos é o bastante,
Deles, a produção ficou distante.
Instituímos o medo no conhecido,
O reafirmamos no desconhecido:
No material, a fome, o desabrigo e a dor;
No metafísico, o inferno, um “pecador”.

Na vida e na morte os cercamos,
Não dividimos, apenas tomamos.
Deixamos de os ver como gente,
Os gastamos, continuamente.
Demos-lhes um sentido tranquilizador,
Vivemos bem com sua dor.

Loucos para ser como nós,
Se perdem em nossos nós
De retóricas falsas e contraditórias.
A educação que demos fragmenta memórias;
Análise crítica deixaram de fazer:
Líderes, coach, influencer é o que vão ter.

Se tudo começa a se organizar,
Bagunçamos tudo para controlar.
O caos e a burocracia, nossos aliados,
Eles ficam perdidos, alienados.
Se acusam e se atacam;
Se voltam a fantasias, se matam.

No trono oculto de nossa vaidade,
Assistimos ao fim de sua identidade.
Donos do mundo, senhores do jogo,
O purgatório deles pega fogo.
Ganhamos sempre os ajudando,
Faturamos mais os humilhando.

Estamos bem e felizes, obrigado,
Temos toureado bem o nosso gado.
A justiça social nos assombra,
Mas eles não terão nem a sombra.
Que rezem, que chorem, que orem,
E do nosso mal, enfim, nos ignorem!